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Variedades
19/02/2024 11h10

Você conhece o Sebo Paixão de Ler?

Com mais de 200 mil livros no acervo, Sebo Paixão de Ler permanece resiliente mesmo em meio a dificuldades e usa a tecnologia para se manter ativo


O espaço aconchegante não deixa dúvidas: o Sebo Paixão de Ler é o sonho de todo leitor. Decorada com filtros dos sonhos e exemplares belíssimos de autores como Machado de Assis e Camilo Castelo Branco, a entrada do estabelecimento já dá o tom de como será a experiência de quem entra ali. Localizado na Av. Marechal. Deodoro, nº 923, em Oficinas, o Sebo não deixa a desejar em nada. Conheça a história e como ele se mantém até hoje.


O Paixão de Ler é, hoje, o resultado da junção de três sebos. O acervo de três outros estabelecimentos foi englobado ao do estabelecimento tubaronense: um vindo de Itajaí, outro Rio do Sul e outro de Bauru, do estado de São Paulo. “Para comprar o acervo do de Bauru eu vendi meu carro”, conta a proprietária Nelcir Miglioli, professora de Língua Portuguesa aposentada, que afirma já estar no local há 15 anos. “Eu só não troquei os filhos por livro, eu já troquei carro, já troquei casa, já troquei tudo, só falta trocar os filhos”, brinca Nelcir.


“Começamos ali na rua dos Ferroviários, ficamos por um ano mais ou menos, até que o espaço começou a ficar pequeno e nos mudamos para cá”, relembra. Para se ter uma noção da quantidade de livros, são 200.000 exemplares; destes, apenas metade está cadastrada. Em comparação, a Biblioteca Pública, que fica no Museu Willy Zumblick, possui um acervo de cerca de 40 mil volumes.


Para manter o espaço, Nelcir se utiliza das tecnologias. “Hoje nós estamos no Estante Virtual, Mercado Livre, Shopee… E de Santa Catarina, esse aqui de tubarão é um dos maiores. Não temos todos eles registrados porque tem que escrever, colocar peso, medida…”, explica. A maior dificuldade hoje, para o sebo, é manter o espaço, que custa cerca de cinco mil reais, entre luz, aluguel e IPTU.


“Requer bastante dedicação, é algo que não vai deixar ninguém rico. Tem que gostar mesmo porque tem que passar bastante aqui.Raramente, eu saio daqui antes das onze horas da noite, porque a gente tem que ficar trabalhando até tarde para conseguir jogar esses livros na internet”, conta Nelcir.


O Paixão de Ler conta hoje com uma equipe de quatro pessoas. “Temos a Gabi, Ayumi e outra menina que chegou recentemente para nos ajudar, além do meu filho, que auxilia aqui”, explica.


“O principal trabalho é catalogar o livro e preparar o pacote para enviar aqueles que são comprados pela internet. Esses pacotes que a Gabi está fazendo ali, tudo é para enviar pela Estante Virtual”, detalha. "Claro que eu prefiro trabalhar com a loja física, com as pessoas, indicando livros e mantendo contato… Mas se a gente não tem essa parte virtual, não consegue manter o espaço físico”, reitera Nelcir.


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Hoje,a maior parte das pessoas acaba indo ao sebo para usar os livros usados que possuem como moeda de troca. “Por isso precisamos das vendas do virtual. Essa cultura de troca de livros se mantém viva e é a alma do sebo; o virtual acaba sendo o que nos permite manter isso vivo”, aponta Nelcir.


Janeiro e Fevereiro, segundo Nelcir, são as melhores épocas para o Sebo. “Essa época tem muito movimento. Vem o pessoal do Rio Grande do Sul, de Curitiba para cá, e a gente tem uma clientela muito boa que passa aqui pela nossa região e vem exclusivamente para garimpar no Sebo antes de ir para as férias. É a melhor época que tem para a gente”, explica.


Durante nossa conversa, conhecemos uma família que veio especialmente de Sombrio para procurar materiais complementares para os filhos. Marília e o esposo estavam com os filhos Téo e Giovana, procurando material da idade deles sobre o corpo humano. “Todo ano eu venho aqui escolher. Tem muita coisa bastante rica, por exemplo, nos livros de ciência, com imagens e ilustrações que não vemos mais nos livros de hoje em dia”, explica Marília.


Ela conta que os filhos também gostam de estar no ambiente e garimpar. “Eles sempre vêm junto e acabam se divertindo, vendo os livros… É uma forma também de despertar a paixão pela leitura”, conta.


Engana-se quem pensa que só de livros vive o Paixão de Ler. Além dos volumes, são cerca de 12 mil vinis, além de CD’s e DVD’s que estão à venda por preços muito bons. “Um cliente certa vez garimpou e achou um vinil autografado por apenas R$2,00. Os vinis não estão cadastrados, aí tem que garimpar aqui mesmo”, explica Nelcir.



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"É um mundo muito amplo. Tu nunca vai dar conta de ter tudo. Quando tinham outros sebos, se nao tinha algo aqui eu mandava para eles. Mas hoje não tem e a gente fica meio perdido porque não tem para onde mandar um cliente. Eu acho que é triste isso”, lamenta.


Questionei se em algum momento a Prefeitura esboçou interesse em, de alguma forma auxiliar o Paixão de Ler, afinal, tem um vasto acervo, incluindo o que um dia foi acervo do historiador tubaronense Amadio Vitoretti. “Quando faleceu seu Amadio Vitoretti, que era cliente aqui do Sebo, veio todo o acervo dele para cá, eu até entrei em contato na época com a prefeitura, mas não houve nenhum retorno nesse sentido”, relembra.


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