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03/03/2024 13h28

Rachadura e afastamento de placas tectônicas terão reflexos em SC? Especialista explica

O Brasil já se afastou 65 metros da África desde o ano 1500
Rachadura e afastamento de placas tectônicas terão reflexos em SC? Especialista explica
O surgimento recente de uma fissura na Placa Tectônica do Pacífico e o deslocamento gradual da Placa Sul-Americana, afastando-se progressivamente da Placa Africana, suscitam questionamentos sobre os possíveis efeitos no Sul do Brasil, especialmente em Santa Catarina. Poderiam esses movimentos desencadear novos fenômenos em Santa Catarina, como terremotos, por exemplo? O geólogo Dr. Juarês José Aumond, do Departamento de Ciências Naturais da Universidade Regional de Blumenau (FURB), oferece insights sobre os cenários possíveis.


Um recente estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, em 21 de janeiro, revela que a Placa Tectônica do Pacífico está se fragmentando devido a extensas falhas geológicas detectadas no leito oceânico do Pacífico. Essas fissuras se estendem por centenas de quilômetros e alcançam profundidades de milhares de metros.


No entanto, para confirmar se de fato a placa está se dividindo, são necessários dados adicionais. A obtenção desses dados está sujeita ao envio de embarcações para a região da falha, o que demanda recursos financeiros. Portanto, neste momento, não é possível afirmar que esses movimentos teriam impactos diretos no Brasil e em Santa Catarina.


Por outro lado, outro fenômeno que poderia influenciar o país é o afastamento da Placa Tectônica Sul-Americana, onde o Brasil está localizado, que se distancia cerca de 3 centímetros por ano da Placa Africana.


De acordo com o geólogo, desde o ano de 1500, o Brasil se afastou aproximadamente 65 metros da África. Esse movimento está contribuindo para a elevação da Cordilheira dos Andes e para a formação de uma fissura no Oceano Atlântico, preenchida por lava não explosiva das camadas mais profundas da Terra.

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— Até o momento, não há estudos que confirmem que a falha encontrada no Pacífico e o afastamento da Placa Sul-Americana terão efeitos diretos na geografia do Brasil. No entanto, a natureza é imprevisível e suas mudanças não podem ser previstas com total certeza — afirma o geólogo.


Embora esses movimentos não tenham impactado diretamente os terremotos que já ocorreram em Santa Catarina, eles indicam que a estrutura do planeta não é estática. Portanto, não se pode descartar a possibilidade de novos eventos, como os raros terremotos, ocorrerem no estado.


O Terremoto de Brusque


Há pouco mais de uma década, em 23 de dezembro de 2013, às 5h10, um terremoto abalou o bairro Linha Tomaz Coelho na cidade de Brusque, assustando os moradores. Segundo relatos locais, os tremores foram sentidos novamente com menor intensidade nos dias seguintes.

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O geólogo explica que os terremotos são vibrações naturais que se propagam por meio de ondas geradas pela liberação de energia acumulada nas rochas ao longo de dezenas, centenas ou até milhares de anos.


— O Brasil é composto por rochas muito antigas, já bastante consolidadas, o que torna as chances de ocorrerem terremotos remotas. No entanto, ainda é possível que haja reativações de falhas antigas, resultando em pequenos abalos sísmicos — destaca.


O especialista menciona que existem três categorias de terremotos: os causados por explosões ou colapsos vulcânicos, inexistentes no Brasil; os provocados por deslizamentos ou acomodações de camadas de rochas internas superficiais, de baixa intensidade e localizados; e uma terceira categoria, os tectônicos, responsáveis pelos grandes terremotos, geralmente associados a grandes cordilheiras como os Andes e os Alpes, ou a grandes falhas geológicas como as existentes na África.


No caso do terremoto de Brusque, os tremores ocorreram devido a ajustes profundos na falha da crosta terrestre. Ele se manifestou próximo ao encontro de dois tipos de rochas muito antigas: a Suite Intrusiva Valsungana e o Complexo Metamórfico de Brusque. Esses conjuntos rochosos estão conectados por grandes falhas geológicas, que ocasionalmente podem gerar pequenos tremores, como o que ocorreu no bairro Linha Tomaz Coelho em 2013.


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