
Um despacho do TJ-SC vazado nesta segunda-feira (20) indica que o prefeito de Tubarão Joares Ponticelli e o vice Caio Tokarski recebiam uma propina mensal de R$30 mil da Serrana Engenharia. O valor era acordado para que a empresa fosse favorecida nos contratos públicos relacionados à questão de resíduos do município.
Para a desembargadora relatora Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Shaefer, “há indícios robustos de que Joares Carlos Ponticelli e Caio César Tokarski, juntamente com o já segregado Darlan Mendes da Silva integrem a organização criminosa”, afirma o despacho.
Odair José Mannrich, sócio do Grupo Serrana, firmou um acordo de colaboração premiada e detalhou o suposto esquema de corrupção milionário ocorrido no município de Tubarão, por meio de pagamentos das propinas ao prefeito e vice.
Conforme Odair, ainda antes do primeiro mandato dos representados, Caio Tokarski se encontrou com ele no Shopping Itaguaçu, em São José — lá, Tokarski pediu R$ 30 mil reais, que foram pagos devido ao interesse da empresa em manter contratos com Tubarão. Ainda no final de 2016, Odair, Caio e Joares teriam se encontrado rapidamente num shopping de Tubarão, onde os políticos teriam agradecido o valor repassado a título de propina.
Em janeiro de 2017, Odair se encontrou com Caio novamente, e é aqui que surge a figura de Darlan Mendes da Silva, gerente de gestão, e de Altevir Seidel, o mensageiro. Numa reunião com Odair, o servidor Darlan Mendes solicitou um repasse mensal de propina para Caio e Joares no valor de 10% dos valores dos contratos do Grupo Serrana com a cidade de Tubarão.
Odair tentou negociar valores inferiores, mas após negativas de Darlan, fechou no referido valor, que, segundo ele, era repassado pelo mensageiro. Ele aceitou o montante de 10% de propina ao mês, desde 2017, porque estava interessado numa licitação do ano de 2018.
Desde então, até a deflagração da operação recentemente, o Grupo Serrana, por meio de Altevir Seidel, realizava o pagamento de propina por meio do acondicionamento de dois envelopes, um contendo 10% dos empenhos do Grupo Serrana mensalmente, algo em torno de R$ 30 mil reais de propina, para o prefeito Joares e o vice Caio, e outro que variava R$ 6 mil a R$ 7 mil reais), num envelope menor, para Darlan Mendes da Silva.
Altevir, também em colaboração premiada, atestou os relatos, dizendo que por quinze vezes entregou, em diferentes locais, envelopes para Darlan Mendes da Silva — quando havia a entrega de dois envelopes, um deles era sempre maior e mais pesado.
Em junho do ano passado, Odair contou que foi pessoalmente até Tubarão para comunicar a Joares, Caio e Darlan que acreditava estar sendo investigado e que por isso suspenderia o pagamento da propina. Joares teria ficado incomodado com a suspensão e saído da sala.
Diante da desaprovação de Ponticelli, Odair optou por novamente efetuar o pagamento de propina para o prefeito, o vice e o gerente de gestão no mês de setembro de 2022, pagando os meses anteriores e deixando propinas adiantadas até o final do ano.
Esse foi um dos fatos que justificou as prisões preventivas. Segundo a desembargadora, se nem mesmo o fato de saberem das investigações impediu o recebimento da propina, “[…] a única forma de impedir o prosseguimento do recebimento de propina e o sangramento dos cofres públicos municipais é através da prisão preventiva”, despachou.
