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Geral
23/06/2019 15h12

Meningite, um alerta que vem de Meleiro

Joaquim foi contaminado por uma visita, e sofre com sérias consequências.
Meningite, um alerta que vem de Meleiro
O número de casos de meningite volta a preocupar em Santa Catarina. Até o momento, são 19 do tipo meningocócico confirmados pela Divisão de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC). Três mortes já foram confirmadas, uma delas em Imbituba no último domingo.

Apesar dos números, a Secretaria Estadual de Saúde afirma que não há surto da doença. Os 19 casos confirmados – que já incluem as mortes – são do tipo C, causados pela bactéria Neisseria Meningitides, o tipo mais grave da doença. Há ainda o tipo viral da doença – que seria a forma mais amena, porém, dependendo da idade e imunidade, pode trazer sérios danos. Foi o caso do pequeno Joaquim, de Meleiro, que com pouco mais de um mês de vida, pegou a doença e sofreu sequelas graves.

Segundo a mãe, Cristina da Silva Gonçalves, o menino começou a apresentar quadro de vômito, febre e irritação. “Levamos ao hospital da cidade e disseram ser uma virose. Após quatro dias consecutivos com os mesmos sintomas, levamos ao Hospital Materno Infantil de Criciúma, chegou apresentando crises convulsivas devido a febre. O médico logo colocou em isolamento por suspeita de meningite devido ao agravamento do quadro. E de imediato já me colocou o possível diagnóstico, meningite viral”, explica.

“Quando ele nos falou sobre os resultados dos exames que deram a meningite viral, ficamos aflitos, o nome em si dessa doença nos assusta. Porém, ele nos acalmou explicando que a meningite viral era um tipo mais comum e com fácil tratamento. Precisamos ficar em isolamento de qualquer tipo de contato, devido a imunidade dele estar muito baixa. E observar se mais alguém da nossa família iria desenvolver algum tipo de sintoma decorrente ao contato com ele”, afirma.

Diagnóstico tardio e problemas

Apesar de, geralmente, ser um tipo inofensivo, no caso de Joaquim – pelo diagnóstico tardio e pela baixa imunidade – uma série de complicações foi acontecendo. “Ele recebeu alta da primeira internação com medicação para crises convulsivas que desenvolveu por conta do quadro avançado. Após um mês em casa, desenvolveu crescimento anormal do perímetro cefálico, sendo diagnosticado com Hidrocefalia”, destaca.

Hoje com seis meses, Joaquim encontra-se em recuperação. Passou por cinco cirurgias, teve um AVC, hemorragia cerebral, perdeu visão e audição, juntamente com os movimentos do corpo após o AVC. Ele se alimenta através de sonda, faz uso de medicamentos para controle das crises convulsivas e tem acompanhamento médico, fisioterapêutico e fonoaudiólogo semanais. “A princípio o diagnóstico era claro ele não enxergaria, não escutaria e nem se movimentaria, iria ficar em estado vegetativo. Pensaram em declarar morte encefálica, porém a recuperação dele é inexplicável diante da ciência. Está voltando a enxergar aos poucos, a audição voltou totalmente. E as pernas e braços estão voltando a se movimentar. Os médicos dizem que ele teve uma lesão cerebral muito grande, porém não me falam mais em sequelas devido a recuperação dele. Eles não conseguem me afirmar o que atingiu. Somente com o tempo, mas acreditamos muito na vitória dele. Deus sempre esteve conosco e nos amparou até agora”, conta Cristina.

Foi contaminado em visita

Para os pais, ela deixa um alerta. “O apelo que eu deixo a todos os pais é que cuidem dos seus filhos, sejam chatos quanto a visitas, Joaquim foi contaminado por alguma visita que não desenvolveu os sintomas por ter a imunidade mais resistente. Joaquim tinha somente um mês, era recém-nascido. Por isso, o meu conselho é não temam em dizer não para uma visita, comprem álcool em gel e deixem sempre perto do seu filho. E para as pessoas que acham que é frescura, gostaria de que com esse alerta vocês tenham empatia e acatem o cuidado dos pais. São cuidados pequenos que podem salvar a vida de uma criança. Não julguem, as noites em um hospital são dolorosas, intermináveis, cansativas. E muitas vezes você escuta que pode voltar com seus braços vazios para a casa”, finaliza.

(Com informações da Revista W3)
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