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22/04/2019 18h16

Laboratório em Criciúma é investigado por fraudar exames de caminhoneiros que usam drogas

Motoristas que usam rebite, nome popular para anfetamina, contam que ficam até duas noites e dois dias sem dormir após usar as substâncias.
Laboratório em Criciúma é investigado por fraudar exames de caminhoneiros que usam drogas
Um laboratório localizado em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, é alvo de uma investigação que apura fraude em exames toxicológicos de caminhoneiros. O esquema foi mostrado em uma reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (21). Motoristas que usam rebite, nome popular para anfetamina, contam que ficam até duas noites e dois dias sem dormir após usar as substâncias.

No Brasil, o exame toxicológico é exigido desde 2016 para quem quer emitir ou renovar carteira de habilitação nas categorias C (para caminhão), D (ônibus e vans) e E (trailers e veículos pesados com reboques). Os testes são feitos a partir de fios de cabelo ou pelos do corpo e atingem períodos de até 90 dias antes da data de coleta. Por meio desses exames é possível identificar se o motorista usou maconha, cocaína, morfina, heroína, ecstasy, opiáceos ou anfetamina.

Na reportagem, um dos caminhoneiros entrevistados, que é de Santa Catarina, conta que pagou R$ 500 para burlar o exame e renovar a carteira de habilitação. No Estado, mostra a reportagem, o caminho das fraudes tinha uma escala inusitada: um salão de beleza em Criciúma.

Ministério Público de SC investiga o caso
Segundo a investigação, conta Gustavo Wiggers, promotor de Justiça em Santa Catarina, em entrevista ao Fantástico, quem vendia os exames era uma mulher identificada como Sandra Meira, técnica em laboratório. Conforme a reportagem, Sandra buscava os cabelos usados nos exames adulterados no salão que ficava localizado próximo da casa onde ela mora.

O Fantástico foi até a casa da mulher, que segundo apuração chegou a ser presa, mas já responde em liberdade pela fraude. Questionada que tipo de cabelo ela buscava, Sandra responde que era qualquer um. Ela chegava a cobrar entre R$ 800 a R$ 1 mil pelos exames falsificados.

— O caminhoneiro entrava em contato com ela, encaminhava apenas a foto do documento, e realizava o pagamento — detalha o promotor.

De acordo com o Fantástico, Sandra afirma ter agido conforme ordens do dono do laboratório, que morreu ano passado. Ao ser questionada se ela não temeu colocar em risco a vida das pessoas que circulam diariamente nas estradas, Sandra diz que sim, mas defende que era apenas uma funcionária.

A atual dona do laboratório, identificada como Cristina Claudino de Luca, é a filha do antigo proprietário e teria sido denunciada pela promotoria. Ao Fantástico ela disse que culpa, na verdade, seria da ex-funcionária.

— Meu pai estava doente e eu ficava em casa cuidando dele e a pessoa acabou se beneficiando dessa situação para cometer um crime — disse ao defender que não cometeu nenhum crime.

O Fantástico ainda mostrou que, no período de cinco meses, entre janeiro e julho de 2018, o Ministério Público de SC identificou 291 motoristas com laudos falsos não só no Estado catarinense, mas também no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Por nota enviada ao Fantástico, o Departamento Nacional de Trânsito afirmou que está aprimorando o controle dos exames para evitar que motoristas de caminhões continuem dirigindo livremente sob efeito de drogas.

Feirões para venda de exames falsos ocorrem em SP e RJ
A reportagem exibida no domingo também mostrou que em São Paulo há um mercado clandestino de exames toxicológicos. A promessa é de que o exame fica pronto em até 10 dias úteis. No local mostrado, a fraude custa quatro vezes mais que o exame regular, mas se for no dinheiro é oferecido desconto, ficando em R$ 800. É possível até parcelar no cartão.

O esquema também funciona no Rio de Janeiro. Por lá, a reportagem mostrou que é cobrado R$ 195 para que o exame seja feito, mais R$ 1 mil para que o exame dê negativo. No caso mostrado pelo Fantástico, a mulher que oferece o serviço, que não sabia que estava sendo gravada, afirma que envia o próprio cabelo no lugar da amostra que deveria ser do motorista.

A direção da clínica onde a mulher trabalha afirmou ao Fantástico que irá demitir a funcionária por justa causa. Já o laboratório para onde eram enviados os exames, afirmou que vai registrar ocorrência na polícia.

Fonte: Reporter Sul.
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