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19/02/2019 23h03

No Mundo: Casal de aposentados comete suicídio por não conseguir se sustentar

“São 62 anos de matrimônio, que viveram juntos e felizes. É uma história de amor onde nunca os vimos brigar ou tratar-se mal”, lamentou a neta que encontrou os corpos. O caso ocorreu no Chile, país com suicídio recorde entre idosos com mais de 80 anos
No Mundo: Casal de aposentados comete suicídio por não conseguir se sustentar
José Aedo, de 94 anos, e Blanca Sáez, de 86, são as mais novas vítimas da política de privatização da Previdência Social chilena, imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a ditadura do general Pinochet na década de 80 e mantida pelos governos que o seguiram. À medida que os anos passam, o valor das pensões e aposentadorias vai sendo reduzido, o que se reflete no número recorde de suicídios. Foi exatamente o que ocorreu com José e Blanca. Sem conseguir sustentar os gastos crescentes, após 62 anos juntos, decidiram  recorrer a um gesto extremo e se tirar a vida. Foi em sua própria casa, em El Bosque, ao sul de Santiago, no início de fevereiro. Na carta de despedida aos quatro filhos e sete netos, deixaram explícito que “estavam cansados de viver e depender da família”. Para deixar de ser um peso, José disparou em Blanca – que se encontrava doente e acumulando muitos gastos – e logo depois se suicidou com um tiro. “São 62 anos de matrimônio, que viveram juntos e felizes. É uma história de amor onde nunca os vimos brigar ou tratar-se mal”, lamentou a neta que encontrou os corpos. “Todas as pessoas ficaram impactadas pela morte de ambos, porque foi inesperado, nem podíamos imaginar. Era um casal de tantos anos, com filhos e netos já adultos”, lamentou uma vizinha. ESTATÍSTICAS Conforme o Estudo Estatísticas Vitais, do Ministério de Saúde e do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), entre 2010 e 2015, 936 adultos maiores de 70 anos tiraram sua própria vida no período. O levantamento aponta que os maiores de 80 anos apresentam as maiores taxas de suicídio – 17,7 por cada 100 mil habitantes – seguido pelos segmentos de 70 a 79 anos, com uma taxa de 15,4, contra uma taxa média nacional de 10,2. Segundo o Centro de Estudos de Velhice e Envelhecimento, são índices mórbidos, que crescem ano e ano, e refletem a “mais alta taxa de suicídios da América Latina”. Uma das autoras da pesquisa ministerial, Ana Paula Vieira, acadêmica de Gerontologia da Universidade Católica e presidenta da Fundação Míranos, avalia que muitos dos casos visam simplesmente acabar com o sofrimento causado, “por não encontrar os recursos para lidar com o que está passando em sua vida”. “O que nós percebemos, depois de anos de funcionamento, é que o sistema de pensões das AFP baixa toda a qualidade de vida na velhice”, afirma a economista chilena Claudia Sanheuza, diretora do Centro de Economia e Políticas Sociais da Universidade Mayor. MULTINACIONAIS Atualmente, das seis AFPs que atuam no Chile, cinco são controladas por empresas financeiras multinacionais: Principal Financial Group (EUA); Prudential Financial (EUA); MetLife (EUA); BTG Pactual (Brasil) e Grupo Sura (Colômbia), que administram fundos de 10 milhões de filiados. São recursos aplicados no mercado de capitais especulativos, nas bolsas de Londres e Frankfurt, para serem repassados sob a forma de empréstimos usurários aos próprios trabalhadores. Na avaliação do representante do movimento No + AFP, Mario Villanueva, o sistema chileno de Previdência privada foi feito para injetar capitais no sistema financeiro e é o “coração do modelo neoliberal instaurado na ditadura”. Para se ter uma ideia, alertou, os recursos geridos pelas AFP já somam US$ 220 bilhões, equivalente a mais de 80% do PIB chileno. Para garantir os lucros abusivos de meia dúzia de mega-usurários, o resultado perverso deste mecanismo de arrocho é escancarado pelos próprios dados oficiais: 79% dos pensionistas chilenos recebem menos que um salário mínimo. A dura realidade dos fatos enterrou o discurso publicitário das AFP que propagandeava – com o apoio da grande mídia chilena – que os trabalhadores se aposentariam recebendo entre 70% a 100% dos últimos salários. Obviamente não foi o que ocorreu. Hoje, a média das pensões é de míseros 33% para homens e 25% para mulheres, segundo dados da Fundación Sol, que estuda o tema.
Sem previdência pública, Chile tem suicídio recorde entre idosos com mais de 80 anos -  Publicado em 18 de agosto de 2018 Apontada como modelo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a privatização da Previdência Social chilena, promovida pelo general Augusto Pinochet na década de 1980, continua vigente e cobrando um preço cada vez mais elevado. O colapso do sistema tem ganhado maior visibilidade nos últimos dias à medida que o arrocho no valor das pensões e aposentadorias se reflete no aumento do número de suicídios. De acordo com o Estudo Estatísticas Vitais, do Ministério de Saúde e do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), entre 2010 e 2015, 936 adultos maiores de 70 anos tiraram sua própria vida no período. O levantamento aponta que os maiores de 80 anos apresentam as maiores taxas de suicídio – 17,7 por cada 100 mil habitantes – seguido pelos segmentos de 70 a 79 anos, com uma taxa de 15,4, contra uma taxa média nacional de 10,2. Conforme o Centro de Estudos de Velhice e Envelhecimento, são índices mórbidos, que crescem ano e ano, e refletem a “mais alta taxa de suicídios da América Latina”. Uma das autoras da pesquisa ministerial, Ana Paula Vieira, acadêmica de Gerontologia da Universidade Católica e presidenta da Fundação Míranos, avalia que muitos dos casos visam simplesmente acabar com o sofrimento causado, “por não encontrar os recursos para lidar com o que está passando em sua vida”. O fato é que à medida que a idade avança e os recursos para o acompanhamento e o tratamento médico vão sendo reduzidos pela própria irracionalidade do projeto neoliberal de capitalização da Seguridade, os idosos passam a se sentir cada vez mais como um fardo para os seus familiares e entes queridos. JORGE E ELSA Entre tantos casos, ganhou notoriedade recentemente o do casal Jorge Olivares Castro (84) e Elsa Ayala Castro (89) que, após 55 anos, decidiu “partir juntos” para “não seguir molestando mais”. A evolução do câncer de Elsa, conjugada a uma primeira etapa de demência senil, faria com que tivesse de ser internada numa casa de repouso. O marido calculou que poderiam pagar, mas somente se somassem ambas as aposentadorias e vendessem a casa. Sem qualquer perspectiva, Jorge e Elsa decidiram abreviar suas vidas com dois disparos. Infelizmente, diz a psicogeriatra Daniela González, “enfermidades que geram uma impossibilidade de serem enfrentadas economicamente acabam colocando o tema do suicídio como uma saída honrosa”. Como ficou comprovado, o desmantelamento do Estado serviu tão somente para beneficiar as corporações privadas que assaltaram o sistema público de pensões e aposentadorias chileno sob o pretexto que era deficitário, (até nisso os ladrões e a grande mídia tupiniquins demonstram a mais completa falta de criatividade), por outro de capitalização administrado pelo “mercado”. A “justificativa” era de que assim seria resolvido o problema fiscal e se abririam as portas ao crescimento econômico. Assim, foram montadas as Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), instituições financeiras privadas encarregadas de administrar os fundos e poupanças de pensões. O rendimento destes fundos, com base nas flutuações do “mercado”, determina a quantidade de dinheiro que cada pessoa acumulará quando chegar o momento da aposentadoria. Desta forma, com a capitalização para fins de aposentadoria integralmente bancada pelo trabalhador, milhões de pessoas foram obrigadas a entregar 10% de seus salários a arapucas especulativas, sem haver nenhuma contribuição dos empregadores, nem do Estado. “Houve crises financeiras nas que perdemos todas as economias depositadas ao longo da vida, porque ficamos sujeitos aos vaivéns do mercado”, explicou Carolina Espinoza, dirigente da Confederação de Funcionários de Saúde Municipal (Confusam) e porta-voz da Coordenação “No Más AFP”.. Fontes: Hora do Povo-Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev)
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