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25/12/2018 17h40

Unidos pelo atletismo: Irmãos não se encontravam desde que o menor foi adotado

Após oito anos separados, irmãos se reencontram através do esporte e passam Natal juntos.
Unidos pelo atletismo: Irmãos não se encontravam desde que o menor foi adotado
Natal tem um significado diferente para cada pessoa, mas para poucos vai ter simbolismo mais especial do que para os irmãos Lucas e Douglas. Vai ser a primeira vez após oito anos que eles estarão lado a lado na data. Foi esse o período que passaram separados, desde que o menor foi adotado, até o reencontro proporcionado pelo esporte. O destino, que nesta história atende pelo apelido de Cacá, uniu os dois por acaso em uma pista de atletismo. Agora, ao olhar para eles, não resta dúvida: o sorriso estampado no rosto revela o clima neste feriado e para os próximos anos.

Lucas Gabriel, que ganhou o sobrenome Antunes, agora tem 14 anos. Douglas da Silva tem 19. O final do nome não é o mesmo, mas não é preciso ir longe para perceber que eles têm muito em comum: do sorriso largo até a velocidade nas pernas.

"Eu amo ele e tinha muita saudade. Tínhamos um vínculo amoroso, pois passava a maioria das horas com ele. É minha inspiração", conta Lucas, ao descrever o sentimento pelo mais velho.

Mas o presente de Natal veio mais cedo para a dupla neste ano, nove meses antes. E não estava embaixo de uma árvore, mas na pista de treinamento da União Catarinense de Atletismo (UCA), em São José, na Grande Florianópolis. Em março, Lucas começou a treinar na UCA com a técnica Ana Cláudia Rodrigues, a Cacá. Mesmo sem saber, o local era o mesmo que treinava Douglas. Os horários, porém, não coincidiam. A professora pediu que o mais velho fosse para o período matutino ajudá-la a elevar o ritmo de um novo aluno. Sem saber, a decisão mudou a trajetória deles.

"Eu tinha certeza que iria encontrar meu irmão por meio do esporte. Não sabia quando, mas tinha essa certeza. Deus faz tudo diferente do que imaginamos. Treinamos no mesmo lugar e moramos próximos. Eu amo ele demais e sempre amei. O Lucas pode contar comigo para o que for", emociona-se Douglas.

O dia do reencontro foi inesquecível. Quando viu o “novo aluno”, Douglas teve certeza que seu presságio estava completo. Apesar dos pedidos de calma de Cacá, para evitar qualquer frustração, ele chamou a irmã para acompanhá-lo no dia seguinte, na tentativa de acabar com qualquer dúvida.

"Quando o Lucas apareceu, eu senti algo dentro do meu coração, uma agulhada. Mas não disse nada. Ele foi se aquecer e eu contei para a Cacá sobre meu irmão que tinha sido adotado. Ela pediu calma, porque podia não ser ele. No outro dia, pedi à nossa irmã, que cuidou dele pequeno, para ir ao treino. Quando ela viu de longe, começou a chorar", lembra.

Cacá relembra do momento de ansiedade protagonizado por Douglas até a confirmação de que ele estava novamente frente a frente com o irmão:

"O esporte é a ferramenta que temos para mudar o mundo. Quando eu falei do Lucas ao Douglas, mesmo sem saber da história, ele aceitou na hora. E quando lhe viu pela primeira vez, logo paralisou e disse que era o irmão dele. Foi obra de Deus".

Oito anos de separação

Lucas foi afastado da família após a mãe deles perder o “poder familiar” em decisão do Conselho Tutelar. Filhos de pais diferentes, o mais novo, aos seis anos, foi encaminhado a um abrigo de menores, enquanto o outro, aos 11, foi morar com o pai. Depois disso, o contato entre eles se tornou inviável em 2010. Jamais, porém, a esperança deu lugar à descrença.

O pequeno ficou no abrigo por dois anos até ser adotado. A história que Douglas conhecia era de que o menino teve como destino Paris, levado por um casal. A versão real é bem diferente. Ele jamais deixou Florianópolis. O servidor público Hélio Antunes e a mulher Adriana lhe adotaram. Desde o reencontro, o garoto tem acesso às duas famílias e o pai reconhece que essa relação é muito importante.

"O Lucas é o meu filho, mas eu não sou o proprietário dele. Ele tem o direito de conviver com todos que ele quer bem. Cabe aos pais avaliar quando o contato com a família original não é conveniente, mas essa não é a situação. Os familiares do Lucas são maravilhosos, ele ganhou mais uma família", afirma Hélio, lembrando que os irmãos de sangue estiveram presentes no aniversário de 14 anos de Lucas, em abril.

Agora, Lucas pôde, enfim, dar a primeira lembrança de Natal ao irmão. Uma sapatilha com cravas de alumínio, que fez Douglas chorar. Um gesto bonito, mas presente nenhum se compara ao que a vida deu aos dois em 2018.

Jovens com DNA de campeões

Lucas está no atletismo há nove meses e coleciona resultados positivos. Douglas treina há mais tempo: 10 anos. A genética dos irmãos favorece a prática do esporte, e a busca por bom desempenho mexe com ambos. Em 2019, sonham em alavancar as carreiras.

"Conheci o atletismo por meio de um projeto da escola, aos oito anos. Sempre vim treinando e evoluindo, mas sem muito incentivo financeiro. Conheci a UCA e estou me desenvolvendo. Já corri Brasileiro Sub-23 e Jasc. Em 2019 quero correr o Troféu Brasil. Meu maior sonho é participar de uma competição mundial",  diz Douglas.

Recordista brasileiro até os 14 anos nos 75 metros rasos, terceiro colocado no ranking da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) na categoria sub-16 de 75 metros rasos, atual campeão catarinense sub-16 dos 75 metros e vice-campeão brasileiro sub-16 nos 250m rasos. Apesar do pouco tempo de prática esportiva, o currículo de Lucas já é invejável. E ele almeja ir mais longe no esporte.

"Meu maior sonho é correr em uma Olimpíada com meu irmão e ao lado de grandes lendas do esporte. Quero bater o recorde do Bolt e representar o Brasil. Vi que o atletismo é para mim, por causa da aptidão física. Nesse pouco tempo corri Regional, Brasileiro e Sul-Americano. Ano que vem quero chegar ao Mundial e conquistar pódio", falou o garoto.

No início de dezembro, Lucas participou pela primeira vez de uma competição fora do Brasil. O jovem esteve nos Jogos Sul-Americanos Escolares em Arequipa, no Peru, onde ganhou o ouro no revezamento 5 X 80 metros rasos, além de duas medalhas de bronze nos 80 metros e 150 metros. Resultados que lhe deixa com o rótulo de promessa da modalidade.
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